O Xeque-Mate das Flores

O Xeque-Mate das Flores

Em um pequeno tabuleiro quadrado com 64 casas e 32 peças cabe o universo.
Sim, algo em que podemos parecer presos e finitos, tem tantos jogos possíveis que excede o número de átomos observáveis no universo e essa frase não é uma metáfora poética, é uma equação matemática.

Me pergunto se foi isso que me atraiu a aprender essas regras: meu dia a dia sempre tão parecido, como se dentro de uma repetição e minha eterna obsessão por buscar o diferente dentro de uma vida cheia de tantos deveres. 

O questionamento inicial foi provocado pelos movimentos em L do cavalo e a beleza de pular peças para, então, encurralar outras. Você joga xadrez? Sou uma iniciante. E demoro para ganhar liberdade com o meu Rei. Às vezes perco uma partida pois deixo a peça mais importante submissa, apenas em defesa. Ou então: tenho dificuldades em abrir mão de peças valiosas por um ganho maior lá na frente. 


Ao enxergar minha facilidade em entregar minha liberdade, percebi que minha conversa mental parecia à que tenho com tantas mulheres e... quem são mulheres que viraram o jogo? Cheguei na húngara Judit Pólgar: enquanto os homens falavam que xadrez não era algo possível no universo feminino, ela e as irmãs tomaram o tabuleiro: aos 15 anos ela se tornou a PESSOA mais jovem a ser grand master, quebrando o recorde do arrogante Bobby Fischer.

Ela deixou enxadristas tão desconcertados que saíam sem cumprimentá-la pelas vitórias e abriu um mundo de possibilidades para nós, mulheres. Abriremos espaço com coragem, mesmo no tabuleiro do dia-a-dia. Uma peça por vez. Com direitos e respeito iguais.
Ao longo dos meses a inspiração crescente fez afinal, as peças de xadrez começaram a se mover para fora do tabuleiro. Elas passaram a entrar em casas da minha mente onde ficam as flores e me fizeram buscar arranjos perfeitos como uma estratégia para um xeque-mate. 
E então, ao montar um arranjo, comecei a enxergar a função de uma espécie quase como uma peça.


Aqui, cada uma, em formato de arranjo, se torna a peça em si.
Esse cartaz vem a partir de um jogo que, além de brilhante, é esteticamente lindo: Judit Pólgar x Anatoly Karpov, em 2003.

Vem ver de perto, neste Happy Flower! Quinta-feira, 24 de Setembro, das 19h às 23h!